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Olá queridas famílias,

 

Nesses últimos meses, de julho a agosto, a Casa Áurea passou por uma fiscalização realizada pela Secretaria Estadual de Educação, que teve como objetivo autorizar o funcionamento da escola após a mudança de sede, dentro das normas de segurança e legalidade documental. Foram três visitas feitas por uma equipe de três fiscais, que olharam toda a nossa documentação e todos os cantos e detalhes do interior ao exterior. Desde acessibilidade, iluminação, buracos, manchas, rachaduras em paredes e telhado, até pedaços de madeira, pedras, grades, fios visíveis no pátio e jardim. Foram centenas de exigências que precisaram ser cumpridas no espaço de 30 dias.

 

Como mãe que teve a oportunidade de conhecer de perto esse trâmite, por estar neste momento dedicada voluntariamente à Mantenedora[1], presenciei, ao lado das exigências e dos limites impostos ao nosso espaço, uma rica vida das crianças na escola, em saudável “confronto” com as normas vindas de fora.

 

Embora a vistoria nos ajude a garantir a segurança para as nossas crianças - nos mínimos detalhes - o que é desejável, na visão dos fiscais da Secretaria de Educação, qualquer acesso à mata, qualquer abertura nas grades deveria ser fechada, sem pedras nem paus, nem restos de tijolos acessíveis às crianças. Justamente esses acessos e esses pedaços de madeira, pedras e tijolos continham vida e histórias das nossas crianças, que não podiam ser vistas nem compreendidas pelos adultos de passagem.

 

Estávamos promovendo as alterações exigidas, ou seja, intervindo no ambiente, desmontando os acessos, tirando caixas, paus, tijolos, papéis para despistar a visão limitante dos fiscais para esses locais. Não podíamos correr o risco de precisar gradear toda a escola. Nesse contexto, notamos reações saudáveis e marcantes das crianças, dignas desta partilha.

 

  • A cada acesso fechado em um dia, gerava no dia imediatamente seguinte uma pequena trilha criando novo acesso, bem elaborado, onde de fato havia acontecido a mágica da criatividade, do encontro e do domínio do ambiente pelas crianças.

 

  • Notamos um protesto vindo da turma do 1º ano, de que estávamos “destruindo” o clubinho que eles tinham feito. Para acalmar os ânimos, as crianças foram comunicadas pelas professoras de que a escola estava se preparando para ser autorizada a funcionar com segurança pelos fiscais das escolas e que isso aconteceria no dia seguinte.

 

  • Na véspera da última vistoria, com a escola toda arrumada, esses mesmos alunos do 1º ano fizeram um questionamento memorável. Perguntaram qual era a dificuldade dos adultos de perceberem que “é muito mais legal uma escola em que as crianças possam expressar a sua criatividade do que fingir que ela não existe.”

 

 

Também vale destacar a oportunidade de olhar nos olhos da criança que mais protestava e reconhecer como ela se sentia e como era importante aquele espaço para ela. E de dizer que precisávamos da ajuda dela e de todos para que a escola pudesse passar pela vistoria e receber novas crianças.

 

É tão maravilhoso que as crianças tenham voz, tempo, espaço e natureza para darem asas às suas imaginações, para se sujarem, para expressarem em grupo e individualmente suas ideias simples, mirabolantes e inspirações.

 

E, na verdade, não há antagonismo entre o comportamento das crianças e o do adulto de prover um espaço seguro, mas sensível a preservar o ímpeto criativo que elas próprias foram categóricas em afirmar.

 

Afinal a Casa Áurea, durante a terceira visita, foi parabenizada pelos fiscais: pelo empenho da equipe, pelas instalações, pelo trabalho competente da Dani, nossa secretária escolar e pela autenticidade, tendo recebido a aprovação formal no dia 09/08/23, estando legalizada perante a Secretaria de Educação.

 

Nesse sentido, há uma reflexão bem apropriada no livro de Rudolf Lanz, “A Pedagogia Waldorf – Caminho para um ensino mais humano” (p.143):  

 

“Indiscutivelmente, a repressão como meio de formar o jovem conduz à revolta e à atrofia, ela é destrutiva. Resta saber se o extremo oposto, a ausência de qualquer direção exterior, resolveria o problema.

(...)

Quando feita de acordo com o desenvolvimento do ser humano, na forma certa e na época certa de sua vida, a educação responde e corresponde aos anseios do humano.  Aí a criança se sente estimulada, colaborando com entusiasmo.

Liberdade e autoridade não formam, portanto, necessariamente um antagonismo, e sim deveriam estar equilibradas – entre os vários tipos de liberdade e autoridade, de acordo com a idade da criança.

(...)

O livre-arbítrio é fruto de um longo aprendizado.”

 

Por fim, fica o convite às mães e pais a passearem pela escola, a observarem essas histórias sendo criadas, a agirem através das comissões que também sonham, pensam e criam a Casa Áurea junto com as crianças inspiradas e inspiradoras que nela habitam.

 

Mariana Veiga, mãe do Miguel (5º ano) e do Artur (3º ano)

 

[1] Instância que se responsabiliza pela regularidade jurídica e financeira da escola e por zelar pelo propósito para o qual a Casa Áurea foi criada, o de prover ensino educacional fundamentado na Pedagogia Waldorf. Assim, a Mantenedora funciona em conjunto com o Corpo Pedagógico e o Conselho de Famílias, para formar a estrutura de governança trimembrada da Casa Áurea.

©2017 Casa Áurea

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